“Ousa algum de vós?”
Paulo confronta prática triste em Corinto. Irmãos da fé processando-se mutuamente em tribunais pagãos:
“Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos?” (1 Coríntios 6:1)
Ousa? Verbo forte. Indignação pastoral.
Perante os injustos. Tribunais pagãos — não compartilham valores cristãos.
Não perante os santos. Igreja deveria resolver internamente — com sabedoria.
Princípio. Disputas entre cristãos não se resolvem como briga qualquer. Igreja tem responsabilidade pastoral de mediar. Sair batendo na porta judicial contra irmão — escândalo.
”Os santos hão de julgar o mundo”
“Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?” (1 Coríntios 6:2)
Santos julgarão o mundo. Promessa escatológica. No fim, Cristo — e os seus — participam do juízo final.
Indignos das coisas mínimas? Argumento de maior pra menor. Se vão julgar o universo — certamente podem resolver briga de vizinhança.
“Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1 Coríntios 6:3)
Julgar os anjos. Quem? Os anjos caídos — segundo leitura mais comum. Santos participam do veredito contra poderes espirituais.
”Por que não sofreis a injúria?”
“Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injúria? Por que não sofreis antes o dano?” (1 Coríntios 6:7)
Já é falta terdes demandas. Mesmo antes de ir a tribunal pagão — só ter briga aberta já é falha.
Por que não sofreis o dano? Sugestão impressionante. Aceitar a perda — ao invés de lutar.
Princípio. Cristão maduro escolhe perder materialmente — pra ganhar espiritualmente. Briga prolongada destrói amizade, envenena alma. Às vezes — é melhor ceder.
“Mas vós mesmos fazeis a injúria e o dano, e isto a irmãos.” (1 Coríntios 6:8)
Fazeis injúria a irmãos. Inversão trágica. Quem devia suportar — está causando.
”Não sabeis que os injustos não herdarão?”
Paulo então faz lista pesada:
“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (1 Coríntios 6:9-10)
Não erreis. Aviso. Não deixe cultura mudar teologia.
Lista abrangente. Pecados sexuais, materiais, de fala. Todos — quando persistidos como estilo de vida não arrependido — afastam do reino.
Princípio. Tom importa. Tiago fala com dureza do que atrapalha — mas sempre pra converter, não pra condenar. Cristão maduro não normaliza o que a Escritura condena, mas não despreza pessoas — anuncia esperança de mudança.
”E tais fostes alguns”
“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.” (1 Coríntios 6:11)
Tais fostes alguns. Palavra de esperança. A igreja era cheia de pessoas com passado difícil.
Lavados, santificados, justificados. Três verbos no passado. Algo aconteceu. Cristo mudou.
Princípio. Igreja não é museu de pessoas perfeitas — é hospital. Quem foi de qualquer coisa — pode hoje estar lavado. Esperança pra todos. Sem exceção.
”Tudo me é lícito — mas”
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” (1 Coríntios 6:12)
Frase que coríntios usavam — pra justificar qualquer coisa. Paulo corrige.
Nem tudo convém. Critério não é só o permitido — também o edificante.
Não me deixarei dominar. Liberdade verdadeira — não virar escravo. Aquilo que parecia liberdade pode virar prisão.
”O corpo não é para a fornicação”
“O corpo, porém, não é para a fornicação, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo.” (1 Coríntios 6:13)
Corpo — não destinado à fornicação. Destinado ao Senhor.
O Senhor para o corpo. Cristo se interessa pelo corpo. Não é matéria desprezível. Vai ressuscitar.
“Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo?” (1 Coríntios 6:15)
Membros de Cristo. Cristão está unido a Cristo no corpo. Por isso — o que se faz com o corpo — envolve Cristo.
”Fugi da prostituição”
“Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.” (1 Coríntios 6:18)
Fugi. Verbo de fuga — não de luta. Algumas batalhas não se travam — se fogem. Como José fugiu da mulher de Potifar.
Contra o próprio corpo. Pecado sexual tem dimensão única. Atinge o próprio templo.
”Templo do Espírito Santo”
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (1 Coríntios 6:19-20)
Templo do Espírito Santo. Não metáfora fraca. Realidade. Espírito habita o cristão — no corpo.
Não sois de vós mesmos. Não dono do próprio corpo. Cristo comprou.
Glorificai a Deus no corpo. Cuidado com corpo — forma de adoração. Disciplina, castidade, moderação — culto.
Aplicação pastoral
1 Coríntios 6 ensina três coisas pra a fé. Primeiro: resolva entre irmãos. Não vá ao tribunal pagão. Cristão maduro busca mediação na igreja. Conflito entre crentes — procurar irmãos sábios. Cristo glorificado no perdão acima do direito.
Segundo: tais fostes alguns. Quem tem passado pesado — escute. Foi. Foi. Foi. Mas — fostes lavados. Cristão maduro crê nessa transformação. Não fica prisioneiro da identidade antiga. Cristo fez nova.
Terceiro: o corpo importa. Templo do Espírito. Não só alma. Não só coração. Corpo também. Cristão maduro cuida. Disciplina. Não deixa que paixões virem senhores.
E você foi comprado. Por bom preço. Sangue de Cristo. Não se desperdiça. Glorifique a Deus no corpo — e no espírito. Tudo pertence a Ele.