“Revelação de Jesus Cristo”
O livro abre com título:
“Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo.” (Apocalipse 1:1)
Revelação de Jesus Cristo. Não é livro de enigmas — é revelação. Algo descoberto.
De Jesus Cristo — Ele é o conteúdo e o agente. O livro fala dele — vindo dele.
Brevemente devem acontecer. Tom de urgência. Não tempo de especulação ociosa — de preparação.
“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia.” (Apocalipse 1:3)
Bem-aventurado. Promessa de bênção. Quem lê Apocalipse — com humildade — recebe bênção específica.
”Graça e paz às sete igrejas”
“Graça e paz a vós da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra.” (Apocalipse 1:4-5)
Que é, era, há de vir. Eternidade trinitária do Pai.
Sete espíritos. Espírito Santo em plenitude.
Jesus Cristo — três títulos. Fiel testemunha. Primogênito dos mortos. Príncipe dos reis da terra.
“Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados.” (Apocalipse 1:5)
Lavou em seu sangue. Coração do evangelho. Antes de qualquer visão grandiosa — base é cruz.
”Eis que vem com as nuvens”
“Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.” (Apocalipse 1:7)
Vem com as nuvens. Linguagem de Daniel 7. Vinda visível e gloriosa.
Todo olho o verá. Sem exceção. Nenhum canto escondido. Cristão, ateu, outras religiões — todos.
Os que o traspassaram. Romanos, judeus envolvidos — e simbolicamente todos que rejeitaram.
Tribos da terra se lamentarão. Sobre Ele — de horror ou de arrependimento. Cada alma reagirá.
Princípio. Volta de Cristo não é mito vago. Será histórica, pública, visível. Cristão maduro vive consciente — qualquer hora.
”Eu sou o Alfa e o Ômega”
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.” (Apocalipse 1:8)
Alfa e Ômega. Primeira e última letra do alfabeto grego. Início e fim. Tudo.
Todo-Poderoso. Pantokrator. Soberano sobre tudo.
”Eu estava na ilha de Patmos”
“Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.” (Apocalipse 1:9)
Vosso irmão. João não se exalta. Companheiro.
Patmos. Ilha de exílio. João sofria — idoso — isolado — por pregar Cristo.
Por causa da palavra. Preso — por anunciar.
Princípio. Visão grandiosa pode vir no exílio. Quando tudo parece terminado — Deus mostra. Cristão maduro não desespera na aflição — muitas vezes — é ali que enxerga mais.
”No dia do Senhor”
“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve num livro, e envia-o às sete igrejas.” (Apocalipse 1:10-11)
Dia do Senhor. Domingo — dia do ressuscitado.
Voz como de trombeta. Forte, clara, autoridade.
Escreve num livro. Comissão clara. Pra sete igrejas concretas.
”Vi sete castiçais de ouro”
“E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; E, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.” (Apocalipse 1:12-13)
Sete castiçais. São as sete igrejas — mais tarde explicado.
Filho do Homem no meio. Cristo entre as igrejas. Não distante. No meio.
Princípio. Onde há igreja — Cristo está. Mesmo igrejas imperfeitas. Mesmo igrejas pequenas. Ele anda entre os castiçais.
”Os seus cabelos brancos como neve”
A descrição do Cristo glorificado:
“E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo.” (Apocalipse 1:14)
Cabelos brancos. Pureza. Ancião de dias — imagem de Daniel.
Olhos como fogo. Penetrantes. Nada escapa.
“E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas.” (Apocalipse 1:15)
Pés como latão refinado. Firmeza. Pés que pisam inimigos.
Voz como muitas águas. Som poderoso — cachoeira gigante. Ninguém abafa.
“E tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.” (Apocalipse 1:16)
Sete estrelas na mão. Anjos das igrejas. Cristo segura.
Espada de dois fios. Palavra de Deus. Sai da boca.
Rosto como o sol. Brilho incomparável.
”Caí a seus pés”
“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último.” (Apocalipse 1:17)
Caí como morto. João conheceu Jesus na carne — deitou no seu peito. Mas — diante do glorificado — caiu.
Pôs a destra. Mesma mão que segurava as estrelas. Tocou. Conforto.
Não temas. Palavra que corre toda a Bíblia — pra quem encontra Deus.
“E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Apocalipse 1:18)
Fui morto. Estou vivo. Ressurreição.
Tenho as chaves da morte. Não temos mais por que temer. Morte — vencida.
Aplicação pastoral
Apocalipse 1 ensina três coisas pra a fé. Primeiro: Ele vem. Todo olho o verá. Cristão maduro vive na expectativa. Não trata segunda vinda como conto. Espera. Prepara-se.
Segundo: Cristo está no meio. Castiçais de ouro. Onde igreja se reúne — Ele anda. Imperfeita — mas amada. Cristão maduro valoriza a igreja local — Cristo mesmo passa ali.
Terceiro: não temas. Pôs a destra. Quando o crente cai diante da santidade — Cristo levanta. Mesma mão que segura o universo — toca com cuidado. Receba esse toque.
E Ele tem as chaves. Da morte e do inferno. Quem segue Cristo — não teme o que vem. Ele abre. Ele fecha. Soberano sobre toda fronteira.