“O povo que andava em trevas”
Isaías 9 contém uma das mais belas profecias messiânicas do AT. Contexto — o reino do norte (Israel) estava sendo invadido pelos assírios. Galileia (norte) especialmente atingida. Terras de Zebulom e Naftali.
“Todavia para a que estará angustiada não haverá escuridão… antes Deus tornará gloriosa a terra de Zebulom, e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações.” (Isaías 9:1)
Galileia das nações. Região onde Cristo viveria e ministraria principalmente. Mateus 4:15-16 cita esse versículo aplicando a Cristo.
“O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” (Isaías 9:2)
Andava em trevas… viu uma grande luz. Cumprimento em Cristo — a luz do mundo (João 8:12).
Pra uma região atingida pela invasão assíria — promessa de luz vindoura. Pra a humanidade atingida pelo pecado — Cristo, a luz.
”Tu lhe multiplicaste o povo”
“Tu multiplicaste este povo, mas não aumentaste a alegria; eles se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa, como exultam quando se reparte o despojo.” (Isaías 9:3)
Não aumentaste a alegria. Algumas versões traduzem “e aumentaste a alegria” (correção textual). De qualquer forma, alegria de ceifa, de partilha de despojo. Festa esperada.
“Porque tu quebraste o jugo da sua carga, e o bordão do seu ombro, e a vara do seu opressor, como no dia dos midianitas.” (Isaías 9:4)
Quebrou o jugo. Libertação anunciada. Como no dia dos midianitas — referência a Gideão (Juízes 7). Pequena tropa derrotando exército enorme. Vitória de Deus pelo improvável.
A profecia central
E vem o versículo mais citado em pregações de Natal:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6)
Versículo denso. Vamos parte por parte.
Um menino nos nasceu. Humanidade. Menino — nasce humano. Encarnação real.
Um filho se nos deu. Divindade. Filho — Filho de Deus. Eternamente gerado. Dado — dom do Pai.
Duas naturezas em uma frase. Cristo é homem e Deus. Nascido (humano) e dado (divino).
O principado está sobre os seus ombros. Autoridade real. Sobre os ombros — carregando o governo. Imagem do rei portando responsabilidade.
E os quatro nomes:
1. Maravilhoso Conselheiro. Sabedoria suprema. Quem sabe o que fazer em toda situação. Cristão consulta Cristo como conselheiro maior.
2. Deus Forte. Divindade explícita. El Gibbor em hebraico. Mesmo termo usado pra Yahweh em Isaías 10:21. Cristo é Deus.
3. Pai da Eternidade. Não significa que Cristo seja o Pai (o Pai é o Pai; Cristo é o Filho). Significa pai sobre a eternidade — governa o tempo. Cristão tem pai eterno em Cristo.
4. Príncipe da Paz. Sar shalom em hebraico. Cristo traz paz integral — entre Deus e homem, entre homens, dentro de cada coração.
Quatro nomes, quatro facetas. Sem esses títulos, Cristo não é Cristo.
”Do aumento deste principado”
“Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.” (Isaías 9:7)
Não haverá fim. Reino eterno. Sobre o trono de Davi — cumprimento das promessas davídicas (2 Samuel 7).
Em juízo e em justiça. Governo justo. Reis humanos podem ser corruptos. Este Rei — íntegro.
Desde agora e para sempre. Eternidade.
O zelo do SENHOR fará isto. Não esforço humano. Zelo divino garante o cumprimento.
O resto do capítulo
A partir do v. 8, o capítulo muda de tom. Volta pra advertências contra Israel — desviado, orgulhoso, iníquo. Listas de juízos.
“Contudo a sua ira não se apartou, mas ainda a sua mão está estendida.” (Isaías 9:12, 17, 21)
Refrão repetido. A mão de Deus continua estendida — em juízo. Israel recusa arrependimento. Juízos sucessivos não levam à conversão.
Princípio sério. Nações que recusam a Deus experimentam juízos cumulativos. Cristão maduro ora pelo povo da sua nação.
Aplicação pastoral
Isaías 9 ensina três coisas pra a fé. Primeiro: a luz brilhou nas trevas. Cristo veio à Galileia das nações — região desprezada. Onde trevas dominavam, luz prevaleceu. Em qualquer escuridão da sua vida hoje, a mesma luz pode brilhar. Cristo não evita regiões escuras.
Segundo: os quatro nomes definem Cristo. Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Em qualquer situação você precisa de um desses quatro? Aplique. Decisões — Conselheiro. Fraqueza — Deus Forte. Solidão — Pai da Eternidade. Conflito — Príncipe da Paz. Tudo Nele.
Terceiro: o reino não tem fim. Em qualquer instabilidade política, o reino de Cristo permanece. Cristão maduro investe nesse reino — porque é o que dura.
E o zelo do SENHOR continua fazendo cumprir. O reino cresce. Lentamente às vezes. Mas cresce. Do aumento da paz não haverá fim. Promessa firme.